Câmara de Rio Tinto aprova proposituras e vereadores repercutem queda de telhado em escola; presidente desabafa sobre relação com prefeitura

Sessão ordinária realizada nesta quarta-feira (29) também aprovou requerimentos, título de cidadania e votos de pesar, além de demandas por infraestrutura nas comunidades indígenas

 

A Câmara Municipal de Rio Tinto realizou na tarde de ontem (29/7) sua Sessão Ordinária, do 2º Período Legislativo, com pauta extensa e debates acalorados. Os vereadores aprovaram cinco proposituras e dedicaram grande parte da tribuna à queda do telhado de uma sala de aula da Escola José Lourenço Calixto, na comunidade de Taberaba, ocorrida na última sexta-feira (24). O presidente da Casa, vereador Sandro Gomes, também usou o espaço para manifestar insatisfação com o tratamento dispensado pela gestão da prefeita Magna Gerbasi.

 

Proposituras aprovadas

 

Entre os requerimentos aprovados, destaca-se a solicitação do vereador Sandro Gomes para substituição de lâmpadas nas comunidades de Silva de Belém, Mata Escura, Jaraguá e Aritingui, além de requerimento verbal para terraplanagem nas aldeias Silva de Belém e Jaraguá. O vereador Davi Lima teve aprovada a concessão do Título de Cidadania à senhora Kathiusca Maria Soares Pontes Barreto, bem como requerimento escrito que pede estudo técnico para viabilizar a construção de uma nova unidade escolar em Taberaba. Davi também apresentou voto de profundo pesar pelo falecimento de Eugênio Barbosa da Silva, aprovado pela Casa.

 

O vereador Peu da Galinha apresentou requerimento verbal à Secretaria de Educação solicitando que um engenheiro realize vistoria no madeiramento de todas as escolas da rede municipal. Em aparte, o presidente Sandro Gomes sugeriu que as vistorias sejam estendidas aos postos de saúde da família (PSFs) do município.

 

Queda de telhado mobiliza discursos

 

A tribuna foi dominada pelo episódio da escola de Taberaba. O primeiro a falar foi o vereador Peu da Galinha, que lamentou o ocorrido e criticou a postura da gestão municipal. “Gestão nenhuma vai fazer Peu se calar”, disse o parlamentar, demonstrando descontentamento com as ações da prefeita Magna Gerbasi.

 

O vereador Ailton Fernandes também expressou pesar e alívio por não ter havido vítimas. “Foi a mão de Deus que livrou. Por pouco não houve uma tragédia”, afirmou, garantindo que acompanhará de perto a reforma da unidade.

 

O vereador Davi Lima, que integra a base aliada, destacou o perigo iminente: “O teto desabou entre um horário e outro. Deus salvou aquelas crianças”. Já o vereador Dr. Edson Barbosa, cunhado da prefeita, revelou que a chefe do Executivo e a secretária de Educação, Marielze Fernandes, ficaram profundamente preocupadas. “O vigilante já se preparava para abrir os portões quando o teto cedeu. A prefeita Magna já autorizou colocar todo o madeiramento novo”, assegurou, completando: “Fiquei comovido. Foi Deus que botou a mão e evitou uma tragédia”.

 

O vereador Luan Cardoso fez a leitura de respostas da gestão a requerimentos seus e também alertou para a necessidade de maior atenção às escolas. “Os pais poderiam estar chorando a morte dos seus filhos”, pontuou.

 

Presidente desabafa e líder do governo busca diálogo

Ao fazer uso da tribuna, o presidente Sandro Gomes agradeceu aos deputados responsáveis por emendas que viabilizaram a conquista de um trator, já em operação em Jaraguá e que atenderá agricultores das aldeias. Em seguida, porém, o parlamentar, que representa cerca de 26 mil indígenas de Rio Tinto, Marcação e Baía da Traição, fez um desabafo sobre o relacionamento com a prefeita Magna Gerbasi. “Aliado tem que ser tratado como aliado. Chega, já estou engasgado”, disse, afirmando que precisava externar sua insatisfação para não “adoecer com as injustiças”. Sandro ressaltou que a Câmara é favorável ao desenvolvimento e que os vereadores cumprem seu papel com responsabilidade.

 

O líder do governo na Câmara, vereador Marcos Aurélio (Marcão), tentou amenizar o clima e minimizou o episódio da escola, repetindo a narrativa de que “Deus bateu no coração do vigilante para não abrir o portão antes do ocorrido”. Sobre a crise com o presidente, Marcão garantiu que ainda nesta quarta-feira procurará a prefeita para agendar uma reunião com Sandro Gomes. “Se depender de mim, não há rompimento”, afirmou, sinalizando esforço para manter a base aliada unida.

 

A sessão foi encerrada com a expectativa de que as demandas apresentadas sejam encaminhadas e que o diálogo entre os poderes seja restabelecido.

 

www.valenoticiapb.com.br – Por Benes Lindolfo, Registro Profissional, DRT-PB, N° 683 (texto e edição), com assessoria da Câmara.

 

 

 



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