Oito em 10 emendas Pix contam com irregularidades, aponta TCU
Auditoria do Tribunal de Contas da União identificou problemas em 8 de cada 10 repasses diretos a prefeituras e estados
Uma auditoria realizada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) revelou irregularidades em aproximadamente 82% das chamadas “emendas Pix”, modalidade de repasse parlamentar que transfere recursos diretamente para as contas de prefeituras e governos estaduais, sem a necessidade de convênio com o governo federal. Os dados foram apurados pelo analista de Política da CNN Matheus Teixeira ao Hora H.
Segundo o levantamento, o TCU examinou cerca de 100 repasses referentes a essas emendas, totalizando R$ 198 milhões sob escrutínio. A análise apontou que ao menos R$ 50 milhões podem ter causado dano ao erário, além de uma série de outros problemas identificados na ampla maioria dos casos.
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As emendas Pix foram aprovadas por meio de emenda constitucional em 2019 e passaram a ser amplamente utilizadas por deputados e senadores por permitirem uma transferência mais ágil de recursos às suas bases eleitorais.
Diferentemente de outras modalidades, elas dispensam a etapa burocrática do convênio com o governo federal, o que acelera o repasse, mas também dificulta o rastreamento dos recursos.
“São emendas opacas”, destacou Matheus Teixeira, ressaltando a falta de transparência como um dos principais problemas identificados pelo TCU.
Entre os problemas detectados na auditoria estão superfaturamento, indícios de fraudes e falta de transparência. A dificuldade de rastreabilidade dos recursos foi apontada como uma consequência direta da ausência do convênio federal, etapa que normalmente permite maior controle sobre a destinação das verbas públicas.
Matheus Teixeira ressaltou que os dados da auditoria do TCU se somam a um relatório anterior da Controladoria Geral da União, que, em amostragem de 15 municípios, identificou problemas em 14 deles.
Investigações e desdobramentos
O relatório do TCU foi encaminhado à Polícia Federal e deve servir de base para novas operações e investigações sobre o tema. Matheus Teixeira destacou que a relatoria conduzida por Flávio Dino no STF (Supremo Tribunal Federal) tem avançado de forma consistente, com oficializações aos presidentes de partidos e determinações de operações da Polícia Federal.
“É uma disputa que mexe nas relações entre os poderes”, afirmou Teixeira, acrescentando que, a cada nova decisão, o clima político em Brasília se acirra. Segundo ele, Flávio Dino “tem dado mostras de que não vai recuar”, embora precise do respaldo dos colegas para levar adiante uma disputa de tamanha envergadura.
www.valenoticiapb.com.br – Benes Lindolfo, Registro Profissional, DRT-PB, Nº 683. Por CNN Brasil.
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